Projeto incentiva leitura com distribuição de livros grátis

O projeto “De mão em mão”, parceria entre a Editora Unesp, a Prefeitura de São Paulo e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, entrou no dia 28 em sua segunda etapa com a distribuição gratuita de dois títulos: Contos paulistanos, de Antônio de Alcântara Machado, e A nova Califórnia e outros contos, de Lima Barreto.

O projeto foi lançado em dezembro de 2011 e já distribuiu à população paulistana cerca de 11 mil exemplares de Missa do Galo, de Machado de Assis.

| Imagem: reprodução

Contos paulistanos reúne, em 149 páginas, textos das obras Brás, Bexiga e Barra Funda e Laranja da China, além de quatro contos avulsos de Machado (1901-1935), que foi chamado por Mário de Andrade de “o mais universal dos paulistanos”.

A nova Califórnia e outros contos tem 14 textos que espelham a obra de Lima Barreto (1181-1922), um dos críticos mais severos da República Velha (1889-1930).

Dono de um texto coloquial e despojado com características realistas e naturalistas que recria tradições cômicas, carnavalescas e picarescas da cultura popular, Lima Barreto influenciou os escritores da Semana de Arte Moderna de 1922.

De acordo com os organizadores, o projeto “De mão em mão” tem como objetivo incentivar o gosto pela leitura por meio da disponibilização de livros em locais com ampla circulação de pessoas. Esses pontos de distribuição são quiosques montados nos terminais de ônibus Mercado (integrado ao terminal Parque D. Pedro II, no Centro), Santo Amaro, Pirituba e A. E. Carvalho, em Itaquera, em São Paulo. A entrega dos exemplares tem o apoio da SPTrans.

O leitor poderá levar uma publicação, sem necessidade de cadastro ou registro de retirada, com o compromisso de passá-la de mão em mão. Após a leitura, as obras podem também ser entregues nas bancas, a qualquer tempo, possibilitando o compartilhamento com outros leitores. Cada pessoa pode retirar um único exemplar.

Serão distribuídos 40 mil livros, 20 mil de cada um dos novos títulos, além dos 9 mil exemplares restantes do primeiro livro da coleção. Os quiosques ficarão abertos de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados das 10 às 18h.

O “De mão em mão” foi inspirado na iniciativa colombiana “Libro al viento”. A ideia é que as obras sejam lidas e passadas adiante, “de mão em mão”, ou devolvidas nos mesmos postos onde foram retiradas, para que possam chegar a outras mãos. O projeto colombiano recebeu o aval da Unesco e contribuiu para que Bogotá fosse declarada a Capital Mundial do Livro em 2007.

No “De mão em mão”, as obras foram selecionadas por um conselho editorial composto por José de Souza Martins (sociólogo e conselheiro da FAPESP), Luciana Veit (editora), Sérgio Vaz (poeta e fundador do Sarau da Cooperifa), Heloísa Jahn (editora e tradutora), Jézio Hernani Bomfim Gutierre (editor executivo na Editora Unesp), Samuel Titan Jr. (professor de teoria literária na USP) e Carlos Augusto Calil (secretário municipal de Cultura).

As obras também estão disponíveis em versão digital e podem ser baixadas gratuitamente pela internet em: www.projetodemaoemmao.com.br.

Reportagem: Agência Fapesp

Thursday May 31 1pm  

 
 

Blog Livros de Humanas é retirado do ar… de novo

O blog Livros de Humanas (livrosdehumanas.org), que hospedava livros digitalizados em formato .pdf para download, foi retirado do ar pela terceira vez em quatro anos de existência. Dessa vez, o mérito é da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), que acionou a Justiça afirmando que o blog protagoniza “o maior caso de pirataria de livros digitais em dez anos”.

Outros dois sites também foram retirados do ar, o CompletosBR e o Nodevac.com. Em janeiro, o iOSbooks e o ePubr foram fechados por ordem da Justiça em processo movido pelo órgão.

Segundo a ABDR, o prejuízo que o blog causou foi da ordem de R$ 200 milhões por infrações de direitos autorais. É importante lembrar que o LdH não tinha fins lucrativos, nunca cobrou assinaturas e vivia de contribuições voluntárias para manter a hospedagem.

A investida, obviamente, foi extremamente impopular, tanto para a Associação quanto para as editoras envolvidas no processo. No Twitter, torrentes de críticas vindas de leitores, autores e até editoras caíram em cima do delator.

“Nunca vendi tantos livros (nunca foram muitos, mas enfim) como depois que meus livros entraram nas bibliotecas públicas da rede”, postou o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, autor de 7 livros. Lembrando que o termo “bibliotecas públicas da rede” refere-se aos meios de hospedagem e indexação dos links hospedeiros - que, como no caso citado, não são públicos.


“Mais pessoas leram meus livros graças ao @Livrosdehumanas que por qualquer outra via”, postou o professor de literatura Idelber Avelar.

“Agora q acabaram com a livros de humanas multidões comprarão os livros das editoras né já prevejo filas quilométricas nas livrarias”, ironizou o perfil @teclologoexisto.


Já o perfil @baixacultura faz uma ressalva interessante: todo o acervo de 2.3 mil livros do LdH pode ser baixado via torrent, em cinco volumes, no The Pirate Bay.

Em entrevista à coluna Livros&etc, da Folha de São Paulo, um dos moderadores do site lembra que “é tudo mais complexo do que a gritaria da ABDR faz parecer”. A declaração se contextualiza nos tipos de licenciamentos que regulam os direitos de publicação de vários títulos que estavam hospedados no LdH:

Tem título em domínio público, artigos acadêmicos publicados nas mais diversas revistas, livros em língua estrangeira, livros que estão esgotados (e portanto sem contrato com as editoras brasileiras), livros publicados apenas em Portugal, livros de editoras universitárias que disponibilizam ebooks gratuitos (como os da cultura acadêmica da Unesp ou do repositório de livros da UFBa), livros de editoras que não são filiadas à ABDR, livros com autorização dos autores.


A editora Cultura e Barbárie, que tinha três livros no LdH, publicou uma carta pública dirigida à ABDR. No texto, a editora diz que a Associação não tem legitimidade para representá-la. Diz o texto:

Em nosso entendimento, não cabia decisão liminar nesse contexto, já que em nenhum momento se refletiu sobre a natureza jurídica do site livrosdehumanas.org, que, em nosso entendimento, não é um repositório ilegal de obras, mas uma biblioteca virtual da maior relevância, o que seria facilmente constatável pelo fato publicamente conhecido de que não possui fins lucrativos.


Pelo jeito a ABDR - em conjunto com dois gatos pingados - é a única que liga para a reprodução em formato digital dos livros. Um leitor de fato não se contenta em ler uma cópia precária do original, mas utiliza essa experiência para decidir se vale ou não investir na obra. Se a ABDR não atende os interesses de [quase] ninguém, por que essa balbúrdia?

As copiadoras hospedadas nas dependências das universidades movimentam milhões por ano há décadas com cópias indevidas, e a ABDR nunca levantou o dedo para conter essa verdadeira pirataria. A única explicação lógica é que a Associação sofre do mesmo mal que o Ecad: ambos são inúteis, e tentam justificar a própria existência como um meio eficiente de combater a pirataria - e para isso precisam de cases emblemáticos.

Em breve o foco da luta da ABDR será contra o empréstimo livros, já que isso implica em um consumidor a menos. Ou até mesmo comprar livros, dado que cada leitor é um potencial copista do conteúdo protegido.


Com a palavra, o escritor e quadrinista Neil Gaiman:




Monday May 21 5pm  

 
 

Especialista fala sobre obra de Dalton Trevisan e comenta vitória no Prêmio Camões

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Especialista em literatura brasileira contemporânea, João Ceccantini comenta a premiação de Dalton Trevisan no Camões 2012. (Produzido pelo Podcast Unesp/imagem: Fernando Romeiro)

Posted Monday May 21 4pm   with 0 plays

 
 

Dalton Trevisan faz bonito e conquista prêmio literário em terras lusitanas

Valeu, velho Dalton…

O escritor paranaense Dalton Trevisan foi o vencedor da 24a edição do Prêmio Camões, honraria portuguesa dedicada a grandes nomes da literatura em países lusófonos. O nome foi anunciado em Lisboa, pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, onde os seis membros do júri se reuniram na manhã desta segunda-feira, dia 21 de maio.

Beirando os 86 anos de idade, Dalton foi premiado pela sua “dedicação ao fazer literário”, nas palavras do escritor Silviano Santiago, membro do júri. Alguns livros de sua autoria são:

  • “Vozes do Retrato - Quinze Histórias de Mentiras e Verdades” (1998)
  • “O Maníaco do Olho Verde” (2008)
  • “Violetas e Pavões” (2009)
  • “Desgracida” (2010)
  • “O Anão e a Ninfeta” (2011)
  • “O Vampiro de Curitiba” (1965) é uma das suas obras mais conhecidas.


O Prêmio Camões, instituído em 1988, foi criado para intensificar e complementar as relações culturais entre Brasil e Portugal e conta com a adesão de outros Estados da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP). O valor do prêmio é de 100 mil euros, pagos conjuntamente e em partes iguais pelos governos de Brasil e Portugal. O júri tem mandato de dois anos e é composto por seis pessoas: dois representantes do Brasil, dois de Portugal e dois de outros países onde o português seja a língua oficial.

Monday May 21 2pm  

 
 

Crowdfunding de livros digitais: o embrião de um novo modelo de negócios

Imagem: reprodução/Unglue.it


No livro Wikinomics, Dan Tapscott e Anthony Williams já assinalavam: o futuro dos negócios está na colaboração em massa - parafraseando o subtítulo. Isso implica em uma descentralização dos negócios em todos os sentidos: desenvolvimento, pesquisa, gestão, financiamento, e por aí vai.

Com cada um dando sua contribuição, tudo fica mais barato. Esse é o conceito de crowdfunding, modelo de negócios que se baseia no financiamento de projetos - normalmente desenvolvidos por startups - por meio de um site onde são levantados os valores. Se o piso estipulado pela empresa for atingido, o projeto é tocado, as empresas faturam, os consumidores ganham sua parte em forma de serviço e todo mundo fica feliz.

Não é estranho ver esse modelo se estender para o mercado de livros digitais. Todas as tentativas tradicionais de garantir os direitos e manobrar os preços dos ebooks (leia-se DRM e suas crias) caminham para o fracasso retumbante.

O site Unglue.it tem uma alternativa: as editoras colocam na mesa o preço dos direitos de comercializacão dos livros e os consumidores decidem se vale a pena investir. Se o montante de contribuições atingir o patamar, o livro pode circular à vontade pela web. Os leitores pagam um preço que consideram justo, a editora ganha o seu e o autor tira a sua parte, tudo à luz da lei e sem prejudicar ninguém.

O livro é lançado sob uma licença Creative Commons, uma blindagem contra os espertos que poderiam lucrar com a revenda.

Um problema: a barreira linguística. Quanto maior o número de leitores no idioma em que o livro foi escrito, maior a quantidade de contribuidores em potencial e maior a possibilidade de se atingir a cota estipulada pelos detentores dos direitos autorais. Isso é ótimo para os países anglófonos, cujos leitores têm poder aquisitivo e mais títulos escritos na língua inglesa à disposição. O Brasil não é um país de leitores, e a maioria seguramente não gosta de livros digitais. Portanto eu aposto que em dez anos ainda vamos estar engatinhando no crowdfunding para ebooks.

Thursday May 17 5pm  

 
 

Prêmio de literatura infanto-juvenil recebe 770 originais

imagem: divulgação

O Grupo SM anunciou o saldo da oitava edição do Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil: 770 textos de escritores de todo o país, 17% a mais do que a edição anterior.

As inscrições se encerraram no dia 10 de fevereiro de 2012. Os originais agora vão passar por um processo de avaliação em um júri composto por escritores e especialistas em literatura para crianças e adolescentes.

O vencedor será conhecido durante a cerimônia de entrega, que ainda não tem data ou local definidos. O prêmio será de 30 mil reais em dinheiro, referente ao adiantamento de direitos autorais, e o autor terá sua obra publicada pela SM. Além do vencedor, outros originais inscritos e recomendados pelo júri também poderão ser publicados.

Thursday May 17 4pm  

 
 

Série de vídeos mostra como ser um autor de sucesso

Você já pensou em escrever um livro? Uma série de 18 vídeos curtos publicados no site MBA60segundos, dá algumas dicas de como conseguir boas vendas e cativar os leitores através de ferramentas bem atuais. Protagonizada pelo diretor geral do I-Group, Ricardo Almeida, a série indica caminhos e estratégias que vão muito além da própria escrita do livro.

Registrar o número ISBN, contratar bons revisores, elaborar estratégias de preço, agendar eventos de lançamento e lançar mão das redes sociais sem acanhamento como forma de conquistar cada vez mais leitores são apenas algumas das dicas. O apresentador não menciona outras etapas, como a catalogação na fonte e o depósito legal - tarefas que um bibliotecário pode ajudar a executar -, mas dá pra ter uma idéia do que precisa antes de colocar seu livro nas prateleiras.

Thursday May 17 2pm  

 
 

[PRATELEIRA] LeYa irá relançar outro livro de Palahniuk no Brasil

Após reviver o esgotado Clube da Luta - estratégia que aparentemente rendeu bons resultados, a Editora LeYa irá relançar outro clássico de Chuck Palahniuk no Brasil: Sobrevivente.



Imagem: reprodução

Capa da edição antiga em português, da Editora Nova Alexandria



O livro narra a história de um fanático religioso que decide se suicidar. O interessante, na verdade, é a forma como a história é contada: a partir do final, onde o personagem sequestra um avião em direção a Sidney, na Austrália, e conta a sua história e seus motivos aos passageiros. Como ele não é um terrorista - apenas um suicida - ele permite que todos desembarquem e que o piloto salte de pára-quedas antes de espatifar o avião e dar cabo da própria vida.

Eu admiro a forma como Palahniuk ironiza a imagem do cidadão perfeito e revela as diferentes facetas com que a loucura se instala por trás dessa fachada. Clube da Luta é uma dessas facetas, e Sobrevivente - que eu ainda não li - é outra. Gosto do senso de autodestruição que se apossa da personalidade das pessoas que buscam a perfeição vivendo conforme os parâmetros capitalistas, religiosos e ideológicos - tudo ao mesmo tempo. A literatura contestadora e ácida do norte-americano ousa gritar contra vários paradigmas sociais através de uma linguagem particular, evitando os arroubos românticos sacais que permeiam várias gerações (desde Lorde Byron até… *gasp* Stephenie Meyer). E ainda assim consegue conquistar muitos leitores.

É o próximo item da minha prateleira.



Ficha Técnica

Título: Sobrevivente
Autor: Chuck Palahniuk
Formato: 14x21cm
Nº de páginas: 360
Preço: R$ 39,90

Monday May 14 11am  

 
 

Guerra, comunicação e geração de conhecimento

Não faltam, inclusive no meio científico, estudiosos que exaltam as vantagens e as virtudes das guerras. Theodor Adorno e Max Horkheimer, no famoso artigo ‘Dialética do Esclarecimento’ chegaram a afirmar que o desenvolvimento está condicionado às guerras e conflitos, mesmo tendo eles próprios sido perseguidos pela intolerância nazista que culminou com o suicídio de Adorno (hipótese contestada). O escritor, jornalista e poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti escreveu, em conhecido artigo publicado no jornal Le Figaro em 1909, que a guerra é bela, uma vez que é nela e por causa dela que o homem subjuga a máquina e cria novas arquiteturas.


Imagem: Nasa

- Uma supernova - continuou Ford o mais rápido e claramente possível - é uma estrela que explode com cerca da metade da velocidade da luz e queima com o brilho de bilhões de sóis antes de entrar em colapso e virar uma estrela de nêutrons superdensa. É uma estrela que engole outras estrelas, sacou? Nada tem a menor chance diante de uma supernova. (A Vida, O Universo e Tudo Mais; 3o volume da série O Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams)


Assim como a Guerra, a Comunicação é uma disputa, segundo o modelo proposto pelo francês Pierre Bourdieu. Através das disputas, se criam novos mecanismos de comunicação, cada vez mais sofisticados, fenômeno que também está intimamente relacionado às desumanas guerras. O que seria da informação e da Ciência da Informação hoje se não fosse a II Guerra Mundial. Com toda a sua carnificina e espetáculos de horrores ideológicos, ela foi diretamente responsável pelo desenvolvimento cada vez maior de mecanismos de guarda e recuperação da infomação, tendo em vista o incrível volume de produção científica e tecnológica produzidas em detrimento dos conflitos.

As duas, cada uma ao seu modo são disputas. Destarte, pode-se inferir que ambas se tratam de um processo dialético, evocando mais uma vez os pesquisadores alemães, e sobrevivem do embate, dos conflitos. Com a morte, fazem ressurgir novas tecnologias, novas ideias, novas realidades, que por sua vez serão confrontadas, dando prosseguimento a uma ópera arquetípica do universo que se reproduz desde os menores processos biológicos até os eventos cósmicos, como as espetaculares supernovas e os precisos pulsares.

Tuesday May 8 11am  

 
 

Campanha da Editora Abril para estimular a educação e a prática da leitura

Campanha da Editora Abril para estimular a educação e a prática da leitura

View HD • Posted Friday Feb 10 7am  3 notes

 
 
 
 
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